segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Arco-íris


De quantos desejos sou feita da dimensão cabeça aos pés? Desejo de pés com asas, pernas longas, quadris que sentem mais, seios, braços, mãos... na cabeça uma auréola de pensamentos que gira dançante pelo ar, descansa e retoma a dança, você me daria a honra de acompanhar-me?

De quantos desejos sou feita na dimensão da minha alma? Alma que toda noite se distancia deste corpo que o prende e não o deixa ser livre, e voa, e brinca de colorir casas, pessoas, e que pinta o arco-íris para mim toda manhã e volta a me amar, com todas as privações que imponho a ela.

E vou sendo feita de desejos, de desejar e de desejar-me ser solta pelos milhares de ventos que nos guiam para qualquer que seja o lugar, e não saber aonde ir, e nem saber quando chegar, apenas ir sendo assim desajeitada em todos os jeitos, intensa em tudo e com todos, desejada, desejando que o céu se una ao mar e que possamos nadar pelas nuvens sem ao menos tapar a respiração, respiro limpo, respiro ar, água, respiro todos os desejos e me encho de sensações.

Então vou desejando poder cantar os meus desejos, os seus desejos, os nossos desejos, para poder escutá-los enquanto durmo, enquanto a minha alma brinca de pintar, e quem sabe não se encontra com a sua alma e quem sabe também não possamos colorir juntas?

Música: Groundation - Freedom Taking Over

terça-feira, 28 de julho de 2009

Despir...


O fato é que te amei, nossa, como amei, mas decidi me despir deste amor, decidi trocar a pele que me envolve por outra nunca tocada por ti, decidi deixar na vala todas as lembranças que ainda insistiam em voltar à minha mente hoje nem tão sã como costumava ser antigamente, mente que você desconsertou e que manterei desconsertada, é melhor assim. Esse amor está sendo deixado em todos os cantos dos lugares por onde eu passe, o deixarei espalhado, sem possibilidade de que sejam novamente reunidos em um ser só, ou talvez o jogue pela janela do meu carro, para que assim se perca pelo azul do céu, o azul que antes era nosso, mas que não quero mais.

Hoje estou me despindo de ti, não quero mais as sensações que você me traz, não quero mais nada de ti.

Música: Sutilmente - Skank

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Poema de Maria Rosa


Tudo que espero é ser feliz então
É pegar na sua mão
É dormir com perfeição
Acordar e os pés no chão
Bem longe da solidão
E se na vida tudo não valer
Eu vou procurar você
Pra dizer que não deu certo
Não bonito e nem correto
Mas a vida é mesmo assim

Assimile as cores desta canção

(Fino Coletivo)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um pouco de loucura...


Escrevi para ti algumas horas do que se passava no meu interior, resultaram em algumas palavras rabiscadas, alguns borrões, manchas de tinta. Palavras se embaralharam e criaram-se palavras novas, sem significados para alguns, mas com muitos para mim, então, leia nas entrelinhas, preste mais atenção nos asteriscos e nos pequenos números localizados nessas palavras, pois foram feitas para você, privilégio dado por uma mente recheada de doce de leite com coco, mente musicalmente doce.

Abra as caixas guardadas e lacradas, são leves, elas só carregam sentimentos, espalhe-os pela sua casa, um pouquinho de amor na sala, uma pitada de satisfação na cozinha, um tantinho de orgulho no quarto, coloque-os em cada canto, dentro das gavetas, armários, no sofá, na cama, fique em volta deles, depois de um tempo começará a enxergá-los.

Cante em coro, erre a letra, faça careta e então, sorria em coro, sorrisos musicais, diferentes, iguais apenas em sua alegria. Bata nas portas, ofereça um abraço, brilho nos olhos que não precisam ser compreendidos, pule, dance, cante no meio da sala, no meio da rua, no meio de qualquer lugar, finja loucura por alguns segundos, ache graça dos rostos espantados por não saber ser livres, retribua o sorriso das pessoas que te olham sem julgamento, que um dia pensam em fazer o mesmo, que um dia sejam loucos, loucos por tudo que te faça bem e façam questão disso, não abra mão de nenhuma loucura.

Hoje serei um pouco mais louca do que ontem.

Música: Passos pela rua - Alma D'jem

terça-feira, 14 de julho de 2009

Só o que levei...


E de um suspiro se fez o beijo, olhava minhas mãos, amava meus pés. Dizia-me ser rosa, rosa dos ventos, shock, rosada nas partes do corpo. Trazia o sol nos meus cabelos, fazia com que eles iluminassem toda a nossa casa. Andava nua, você me despia com os olhos, as mãos, o pensamento. Cantava-me canções olhando nos olhos, as traduzia no meu corpo, desejava cada parte de mim. Reinventava-me todos os dias, as vezes menina, as vezes mulher, mas sempre tua. Adormeci de unhas vermelhas, calos no pé, cabelo vazio e assim senti paz, com sonhos tranqüilos sobre nós dois. Sentia suas costas de olhos fechados, deixando minhas digitais pelo seu corpo, não pensava em mais nada, melhor não esperar por mais nada. Acordo e vou embora, não volto mais, não por agora, melhor levar de ti apenas todas essas sensações.

Música: Permanent - David Cook

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sobre o que não é certo...


Estive pensando em nós dois, e nas grandes possibilidades que deixamos ir embora e hoje, depois de quase todas as feridas já cicatrizadas é fácil inventar histórias para você, é fácil afirmar essa ausência de amor, esse outro alguém imaginário do meu lado me dando o amor da maneira que eu sempre quis que viesse de você. Mas você pecou pelo excesso, excesso de amor, de atenção, de pedidos, de desejos, de palavras, de exigências, você me mostrou uma lista inteirinha sem final de tudo o que você esperava de mim e eu, mesmo sem enxergar o final dela, acreditei que daria conta e dei. Fui marcando um X em todos os quadradinhos localizados ao lado dos desejos, mas as promessas não foram sendo cumpridas, e a vontade de completar aquela lista foi perdendo o sentido, porque aquela ali, não era mais eu.

Eu era aquela menina com cara de sono, biquíni cor de rosa e tatuagens pelo corpo que você conheceu e fez rir naquele sábado na praia, aquela que não dava trela para ninguém, aquela que nem ao menos leu o salmo nas suas costas. Eu era aquela menina de sandália rasteira, camisa xadrez, que comia mais do que todos, que além de fome por batata-frita, tinha fome pela vida, aquela que se encantou não pelo belo, mas pelo toque, pelo olhar, pelo beijo.

E todos se encantaram, todos amaram, todos desejavam o melhor, assim como eu, mas... assim como você? Você desejava o melhor para mim, para nós dois, ou apenas para você? Ainda tenho dúvidas, na verdade tenho milhões de dúvidas sobre você, pois ainda quando dizia ter mudado, estava nas entrelinhas tudo o que você sempre foi e espero que não para sempre.

E tudo o que eu queria era um amor tranqüilo, não queria alguém que matasse e morresse por mim, queria alguém que tivesse suas prioridades, alguém que soubesse me dizer não. Alguém que me amasse sem pressa, que dividisse mais o silencio comigo, que respeitasse minhas escolhas, que se amasse mais, não queria alguém que me amasse mais que tudo no mundo, que me apertasse até sentir falta de ar. Queria apenas um amor a ser vivido a cada dia, que fosse sendo construído aos pouquinhos, com base forte e paredes resistentes, mas o nosso desabou e junto com todo esse desastre veio a minha infelicidade. Não agüentei mais mudar, calar, chorar e ceder, não aguentei mais ouvir o bom partido dizer que eu não o valorizava enquanto eu dava a minha alma por uma vida perfeita para ele, eu não resisti e quebrei.

Meu Deus, como meus pés doeram e latejaram, quanto frio eu senti, quanta exposição, quantos estragos, quantos sorrisos que não eram meus, o que fazer com aquele mundo que não me pertencia? Ninguém consegue viver na mentira por muito tempo, principalmente quando você está mentindo para você mesmo, isso é injusto, desleal, é simplesmente monstruoso, mutilação física e emocional. Se para você já era tudo perfeito, pra que continuar com essa busca constante? Você não conseguia enxergar o sangue que escorria pelo meu corpo? Você não via em meus olhos o desespero de alguém preso tentando fugir? Não, você não via nada disso, porque na verdade você nunca conseguiu enxergar além de mim, você nunca amou a minha alma, a minha essência, a minha voz quando cantava, a minha correria de alguém responsável, o meu comprometimento com as pessoas, aqueles que me cercavam, aqueles que amavam a mim.

Hoje você sofre, mas ainda sim tenho certeza que não é pela falta da que eu realmente sou, mas daquela que você criou nos seus braços, na sua escola da mulher perfeita, me desculpe professor, estou solicitando o desligamento dessa sua escola, vou voltar a escola da vida, ela me proporcionou até hoje escolhas, e é só disso que eu preciso, da liberdade de poder escolher.

Voltar a ser o que sempre fui vai ser bem fácil, difícil mesmo é encontrar os pedaços pequenos de mim que foram se perdendo com o tempo, aqueles que devem estar no canto do seu quarto, ou banheiro, ou da sua cozinha. Mas com esses não conto mais, eles vão ser varridos por você, agora novas partes de mim vou criar, inventar, desenhar, qualquer coisa que não me faça nunca mais saber o que é ser infeliz.

Boa sorte para você, boa sorte para mim, boa sorte para nós. Pra ti deixo apenas as músicas, os filmes, o que quebrei no seu carro e alguns fios de cabelo. Lembranças de mim? Apaga todas, grande parte daquilo tudo não foi vivido por mim, foi vivido para você. Só não apaga a sensação do sentimento, essa foi a minha verdade na nossa relação.

Música: You give me something - James Morrison

terça-feira, 7 de julho de 2009

Coisa é cá!


Como se chama isso que você faz comigo? Que vai se transformando em diversas formas de desejos e que se acaba em gemidos enquanto olho fixamente para os seus olhos? Não penso em você, nem em nada que essas suas mãos grandes e quentes já me proporcionaram e possam proporcionar, mas quando me vem meio moço, em meio a bom dias e olas, penso em como desejo esse seu corpo de alma boa e mente tranquila, nos seus cabelos ralos, tatuagens, boca e tudo mais que faz parte de cada centímetro de você. Não é certo suas mãos segurando meus loiros cabelos enquanto me beija e me faz perceber que para isso não preciso nem respirar, não é preciso que eu diga absolutamente nada para você saber a proporção do quanto te quero. E insisto em te ver apenas de longe, atrás dos montes, pois quando perto, me faz um estrago tamanho no peito, daqueles de sonhos seguidos de suas palavras logo pela manhã, suas mãos em minhas pernas, e fecho olhos, apenas sentindo você fazendo parte de mim. Você me tem e sabe disso, por mais que não tenha somente a mim e me pergunte toda vez porque te faço isso, é que a culpa é sua, desse seu interesse desinteressado, desses seus surtos pelo conhecimento, e das perguntas, das questões, do não poder, não ser permitido, por ser errado e por ser simplesmente com você.

Você sabe que parte de você é minha, sabe que te possuo de alguma forma, e dessa minha parte não abrirei mão jamais.

Música: Pare com Isso - O Círculo

terça-feira, 30 de junho de 2009

E se...


E se déssemos uma chance para o abraço? Uma chance para as sensações únicas e especiais? E se por nenhuma hipótese nos privássemos disso? E se fizéssemos todas as coisas que sempre desejamos, por mais perigosas e loucas que possam parecer? E se tivéssemos mais cuidado e atenção em viver? E se dançássemos mais com os pés descalços? E se tentássemos escrever canções, dedilhar um violão ou tocar pandeiro? E se sambássemos mais? E se nos esforçássemos mais para trabalhar com o que amamos? E se fossemos acordados todos os dias pelos raios de sol em nosso rosto? E se fugíssemos mais da escuridão causada pelas cortinas, persianas e janelas? E se disséssemos menos “eu te amo” e demonstrássemos mais o nosso amor? E se ajudássemos mais o próximo? E se tivéssemos menos medo de nos livrar dos costumes que nos faz infeliz? E se disséssemos mais adeus às pessoas que não te fazem bem? E se falássemos mais, ouvisse mais, pensasse mais? E se não nos importássemos tanto em nos doar? E se tivéssemos menos preguiça de levantar um pouquinho mais cedo? E se viajássemos mais de carro e menos de avião? E se andássemos mais devagar? E se déssemos mais gargalhadas? E se escondêssemos menos os nossos sorrisos com as mãos? E se nos ajudássemos mais? E se não tivéssemos vergonha de cantar? E se registrássemos mais nossos momentos com fotos, textos, rabiscos? E se ouvíssemos menos as pessoas e fizéssemos mais o que nos dá na telha? E se fizéssemos mais amigos? E se não tivéssemos tanta vergonha em as vezes ser criança? E se déssemos mais a língua, fizéssemos mais caretas, falássemos menos palavrão? E se não tivéssemos receio de mostrar o quanto somos bons? E se não ligássemos para a inveja, as fofocas, muito menos para que os outros falam? E se olhássemos mais as críticas com bons olhos? E se fossemos muito mais tranqüilos? E se falássemos com mais jeitinho? E se fossemos mais gentis? E se nos amassemos mais?

Resolvi parar de perguntar e se... resolvi fazer... abraçar mais, sentir mais, não me privar de mais nada, para saber realmente o que é bom e ruim, resolvi não ter medo da loucura e do perigo. Passei a prestar mais atenção nos meus passos, para não perder tanto tempo com os descuidos da vida. Coloquei mais os meus pés literalmente no chão. Compus canções, inventei melodias e fiz mais barulho com minha meia lua. Sambei, pulei, dancei, senti as batidas tomarem conta de mim e me transportarem para outro espaço. Corri atrás do que eu realmente sabia fazer com amor. Enfim, cantei para os outros ouvirem, ouvi o que os outros diziam, fiz o que me deu na telha, sorri mais quando deu vontade, deixei a paz fazer mais parte de mim, tranqüilizei meu coração e então fui mais feliz, principalmente porque me amei mais e tenho certeza da eternidade desse amor.

Música: Life is Wonderful - Jason Mraz

sábado, 27 de junho de 2009

A fome GRITA...

“Ô de casa!”, grita lá fora, não é nenhum vizinho, parente ou irmão, quem grita é a fome, a fome que ainda possui a inocência e o desespero da voz infantil, quem grita é a fome pedindo algo para que novamente possa virar criança, para que possa viver criança enquanto não se transforma outra vez em fome. Quem grita é alguém com mais ou menos 1 metro, mãos tremulas, cabelos ralos e sujos, vigiado por olhos atentos de um alguém que provavelmente também não pôde ser criança, então não sabe como o deixar ser uma criança também.

“Ô de casa!” grita novamente, só irá desistir quando a fome apertar ainda mais, implorando para tentar em outra casa. Enquanto espera para chamar outra vez, pensa na bola que furou essa manhã, pensa que tão cedo não terá outra e com o que ira brincar agora? Afinal de contas, na sua lista de pedidos para os outros só havia comida ou algum dinheiro quem sabe, ele não podia pedir uma bola nova ou uma boneca para sua irmã, isso não podia ser importante para ele.

“Ô de casa!” grita, dessa vez mais apertado, voz de choro, de fraqueza e tristeza. Levanto-me, acordo da minha confortável realidade para tentar fazer algo por uma realidade difícil de encarar, reúno biscoito, pão, alguma coisa que restou do jantar, iogurte e tudo o que meu dinheiro puder comprar no dia seguinte, dinheiro que ganho com meu trabalho, porque eu posso trabalhar, ao contrário da criança que morre de fome e que bate na minha porta.

Entrego, ainda há alguma esperança nos olhos da fome, não há tempo para agradecer, apenas para voltar a ser criança, e para isso ele tem pressa, tem vontade, pois assim pode voltar quem sabe a sonhar. Enquanto eu, digo à criança dentro de mim para ele continuar ali, não ir embora nunca, eu ainda preciso muito dela e enquanto a fome vai embora correndo, a criança dentro de mim chora de tristeza e esperança, de que ela não precise mais voltar à minha porta.

Música: Sorrir - Djavan

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Meu Deus, ainda dói...


Será impossível amar alguém como te amei? Ou será que a vida não irá mais me proporcionar um alguém assim? Juro que já tentei, procurei em cada esquina encontrar alguém como você, apenas encostado na parede, mãos nos bolsos, chinelos de couro. Juro que procurei em milhões de sorrisos o som do seu, em milhões de olhos o castanho esverdeado que só você possui, procurei modelar as formas, acostumar as mãos, sentir os olhos fechar sem nem perceber, mas as vezes dói tanto, as pernas ate travam, o corpo fica pesado, os olhos fecham e insistem em me transportar para perto de você, e quando volto a dor é ainda maior, você não está ali. É, teimo em guardar esse amor bem aqui no peito, talvez por tortura, talvez por uma esperança inútil, mas que me sustenta, e me faz sonhar e sorrir vez ou outra, mas que desperta na maioria das vezes uma tristeza tão grande, dói até de lembrar. Já tentei te matar, disse para o meu coração horrores sobre você, até já fingi amar, me entregar, disse alguns “eu te amo”, mas ainda me faço parte de você, ainda me faço pertencer a você, até quando? Até quando amar de verdade for menos difícil que esquecer de verdade alguém que se encaixou com tanta perfeição em você.

Dói e para, dói e para, mas nunca deixa de doer.
Música: Adeus você - Los Hermanos

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Em partes


Todas as minhas partes estão intactas, todas elas, os dedos, joelhos, cotovelos e as juntas que se juntam e formam formas que não sei o que são, só sei que estão juntas, unidas, nuas e visíveis, para todos verem, e falarem e calarem e não restar mais nada, mais ninguém. Palavras que nunca imaginei ouvir estão sendo ditas a mim, amores estão surgindo junto com a poeira que chega com o vento, confusão de palavras que quero ouvir, mas que não posso. Então me fecho, me encolho num canto e derramo lágrimas intermináveis.

Saiam para lá com suas idéias absurdas, me deixem fora disso, me conformo com o meu absurdo e pronto. Tento criar uma barreira de proteção ao meu redor, mas quero uma barreira transparente e sendo assim as pessoas se aproveitam, e insistem em apontar seus dedos, em ouvir demais, em falar demais. Calem a boca, por favor, eu desejo que suas cordas vocais apenas vibrem por suas próprias vidas. Fecho os olhos, respiro fundo, esqueço de você e de quem te cerca, de quem te arrancou a vida confortável, tão confortável que incomodava vivê-la, e dou risada, na verdade gargalho o seu fim lamentável, vivendo a sombra de uma pessoa que não lhe dá espaço para ser alguém, que não deixa você escolher suas próprias fotos, poses, suspiros, ondas, tempo. Mas não me coloque nisso, não me chame pelo ombro e diga “Ei, você ai!”, eu não tenho nada haver com isso.

E então esqueço, acendo meu cigarro, sento na areia da praia e simplesmente olho para o nada, penso no nada, sou o nada, as vezes é bom ser simplesmente nada, apenas você e o que deseja que te cerque, sem olhares, sem sussurros, sem psius, sem assobios, sem ninguém perguntando “mas porque?” e nem dizendo “como assim você não gosta!”. É bom saber que enquanto todos estão pulando em suas camisas coloridas, bebendo suas infinitas cervejas pagas com meses de economia e doando-se a pessoas nunca vistas, eu estou jogando dominó na praia, na calmaria de uma cidade deserta, sem engarrafamento durante alguns dias, feliz da mesma forma, sendo simples, mesmo com toda minha diferença. Se um dia vou me render a essas milhões de datas comemorativas eu não sei, por enquanto, continuo não gostando de quase nenhuma delas, vou continuar viajando pra onde as pessoas não estão aglomeradas, conhecendo coisas novas enquanto as outras continuam vendo sempre as mesmas coisas, dançando nos lugares onde não prestem tanta atenção no meu corpo, na minha roupa, ou na minha esquisitice. Bom, tem muita coisa acumulada na minha cabeça, esse só será mais um texto louco que fala de muitas coisas, mas que se torna no final uma coisa só, e que se eu não escrever, não serei mais eu.

Música: True Love - S.O.J.A.
Imagem: http://www.anarkitty.co.uk/

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um tantinho...


Minha vida de emoções, de sentir e de falar vem se tornando cada vez mais cristal, e das coisas que olho sai ondas de energia que vem me tocando e me fazendo dançar, me fazendo colocar a mão no peito e a outra sob o ar, simulando piruetas de felicidade, dançando com meu próprio eu, com o melhor de mim. Toco em letras e as transformo em melodia, criando minhas próprias canções, minhas trilhas, por onde caminho sem olhar pro chão. E as vezes grito um lá lá lá, que pode ser qualquer coisa, qualquer declaração pra essa vida tão intensa e feita de ondas do mar, de batimentos do coração e de brisas leves. E vou me guiando pra onde a vontade quiser, talvez te ver, talvez te ter, ou talvez não, quem sabe ficar na saudade, fazendo um tantinho de maldade com o coração. Vou assim batendo, batucando, em copos, estantes e janelas, abrindo todas elas pra deixar o sol entrar, sejam bem vindos raios de calor, de sorrir, de amor. E as batidas vou dedicando a mim, a você, a todos nós, as batidas do coração e das mãos, porque aqui posso ser rei ou rainha, posso ser eu mesma na minha completa lucidez, isso se ela existir.

Música: Vento, sol, coração - Natiruts
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